Sem falar bonito, sem querer usar expressões que somente eu entendo.
Por muito tempo andei pensando que não vivia a minha personalidade, que me escondia das outras pessoas. Mas eu errei, na verdade, eu me escondi porque achei que não tinha personalidade.
Posso descrever como uma lagarta que não tem noção de que terá asas lindas e coloridas. Um passarinho no ninho que não tem noção o quão alto pode voar.
Me sinto bem escrevendo sobre sentimentos e pessoas, melhor dizendo, pelos sentimentos que sinto por determinadas pessoas.
Na minha viagem quis escrever sobre uma senhora sentada na areia com seu netinho de cabelos cacheados. Não saiu nenhuma palavra. O que me chamou atenção foi ela estar ali sozinha olhando o garoto correr das ondas, e não dar um sorriso sequer direito.
Pelo que percebi só consigo escrever sobre o que eu sinto. Talvez isso seja bom, tirando o fato de que meus textos de meses atrás não fazem mais sentido e minhas opiniões mudaram um pouco. Como por exemplo, o texto sobre não precisar de musicas para me expressar; Hoje eu praticamente dependo de letras e melodias para me sentir melhor e poder pensar.
Como este mesmo... Fiona Apple tem letras inexplicavelmente lindas, e para falar a verdade, eu nunca encontrei canções que eu me identificasse tanto. Ela diz, ‘Você nunca ouvirá a mensagem que eu transmito’. E isso me faz lembrar centenas de coisas e sentimentos. Poxa, é claro que ninguém ouvirá as mensagens que eu transmito, nem eu mesma sei quando, como, e o que devo dizer.
Chego a pensar que esta confusão particular seja seqüela da minha não percepção de personalidade rsrs. Quem sabe não é mesmo? Talvez aquela velha ferida ainda esteja aberta e esse meu pavor de me mostrar doce ainda tenha que ser bastante trabalhado.
Se eu não odiasse tanto escrever eu compraria um diário, seria solução de grande parte de minhas queixas e confusões... E sabe de uma coisa, eu entregaria este diário para meu filho. Sei lá, gostaria que alguém lesse. Pois bem, melhor escrever coisas aqui e salvar no computador.
Já escrevi sobre se conhecer bem, acho que escrevi quando estava nervosa, o modo como escrevi. É, realmente, estava nervosa comigo mesma, eu me sentia uma idiota quando não sabia o que pensar ou fazer. Na verdade hoje eu ainda não entendo porque em alguns momentos eu decido as coisas tão facilmente e em outros eu sinto tanto medo, ah, mas não sou só eu não é mesmo?
Medo de doer. É um medo que dói só de pensar na dor que posso chegar a sentir, entendeu? Rsrs. Chego a confundir com precipitação... mas é mais que isso.
Ano passado encontrei um poema que até hoje me deixa pasma, de tão perfeita a descrição dele sobre mim, sobre muitos na verdade:
“ eu fico louco
eu fico fora de si
eu fica assim
eu fica fora de mim
eu fico um pouco
depois eu saio daqui
eu vai embora
eu fico fora de si
eu fico oco
eu fica bem assim
eu fico sem ninguém em mim”
Bom, descobri que é uma musica --‘ rsrs. E achei isso ótimo.
Essa parte ‘ eu fico um pouco, depois eu saio daqui’ é boa pra caramba u.U
Todos nós saímos um pouco de nós mesmos... e eu não estou falando de bebida.
O problema é quando você sai de você mesmo... Bom, pelo menos é geralmente é ai que eu me machuco.
Mas enfim, as melhores coisas que já fiz e vivi aconteceram quando eu estava completamente ‘em mim’ mesmo, rsrs. Ah, e eu já havia entendido a questão da personalidade.
“
São preciso palavras para um entendimento correto de nossas intenções e pretensões”.
Escrevo também para me entender. Acabo de achar a resposta para as mil duvidas que tenho sobre esse caminho que eu pensei ser um atalho. É, eu disse que não usaria expressões que somente eu entenderia não é mesmo? :s
Acabo por aqui. Bj.